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Sonetos

Se te adornas de sã filosofia

Se te adornas de sã filosofia
E pio coração, por que o desmentes,
Mantendo contra as lindas inocentes
Perante a séria mãe tenaz porfia?
Se um caráter ingênuo desafia
Tua voz a dizer tudo o que sentes,
Considera também que tens presentes
A virtude, a beleza, a fidalguia.
Despindo a magistral severidade
Confessa que de uns olhos a brandura
É carta de favor, que persuade:
Sê digno preceptor, mas com doçura:
Mil desculpas merece a tenra idade,
E mil adorações a formosura.

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