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Sonetos

Oh tu, que tens no seio a eternidade

Oh tu, que tens no seio a eternidade,
E em cujo resplendor o sol se acende,
Grande, imutável ser, de quem depende
A harmonia da etérea imensidade!
Amigo, e benfeitor da humanidade,
Da mesma que te nega, e que te ofende,
Manda ao meu coração, que à dor se rende,
Manda o reforço d'eficaz piedade.
Opressa, consternada a natureza
Em mim com vozes lânguidas te implora,
Órgãos do sentimento, e da tristeza:
A tua inteligência nada ignora;
Sabes que, de alta fé minha alma acesa,
Té nas angústias o teu braço adora.

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