Sonetos
Já com tênue clarão, já quase escura
Já com tênue clarão, já quase escura
A noturna Diana o céu volteia,
E sobre o Tejo azul, que mal prateia,
Vai duplicando a trêmula figura:
Aura sutil nas árvores murmura,
No lago adormecido a rã vozeia,
Mocho importuno agouros mil semeia,
D'entre as umbrosas moutas da espessura:
Letárgico vapor Morfeu derrama,
Com que insinua um doce desalento
No livre coração de quem não ama:
Triste de mim! Se repousar intento
Os olhos me abre Amor, Amor me inflama,
E Anália me persegue o pensamento.