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Sonetos

Oleno, meia-noute está caindo

Oleno, meia-noute está caindo:
Acende a vela azul, queima as verbenas,
Torra os ossos de rã, chamusca as penas
Da esquerda gralha, que apanhei dormindo:
C'o pé, co'a vara o ar, e o chão ferindo
Enquanto o filtro portentoso ordenas,
Eu irei, e a meu brado ouvido apenas
Virão do inferno as Górgonas surgindo:
Eia, avante o prestígio, não cessemos
Da irresistível mágica porfia,
Contra quem vê sem dó nossos extremos;
Que se hoje o fel tragamos da agonia,
Amanhã doce néctar libaremos
Tu nos braços de Nise, eu nos de Armia.

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