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Sonetos

Os milhões de áureos lustres coruscantes

Os milhões de áureos lustres coruscantes
Que estão d'azul abóbada pendendo:
O sol, e a que ilumina o trono horrendo
D'essa, que amima os ávidos amantes:
As vastíssimas ondas arrogantes,
Serras d'espuma contra os céus erguendo,
A leda fonte humilde o chão lambendo,
Lourejando as searas flutuantes:
O vil mosquito, a próvida formiga,
A rama chocalheira, o tronco mudo,
Tudo que há Deus a confessar me obriga:
E para crer n'um braço, autor de tudo,
Que recompensa os bons, que os maus castiga,
Não só da fé, mas da razão me ajudo.

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