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Sonetos

Tu, que em torpes desejos atolado

Tu, que em torpes desejos atolado
Vergonhosos prostíbulos frequentas:
Tu, que os olhos famintos alimentas
No cofre, de tesouros atulhado:
Tu, que do ouro e da púrpura adornado
Quase d'igual a Júpiter ostentas,
Bebendo as frases vis, e peçonhentas
De bando adulador, que tens ao lado:
Monstros, que desonrais a humanidade,
Desprezando a pobreza atribulada,
E transgredindo a lei da caridade:
O Desengano ouvi, que assim vos brada:
«Tremei da pavorosa eternidade,
Tremei, filhos do pó, filhos do nada!»

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