Sonetos
Praias de Sacavém, que Lemnoria
Praias de Sacavém, que Lemnoria
Orna c'os pés nevados e mimosos,
Gotejantes penedos cavernosos,
Que do Tejo cobris a margem fria:
De vós me desarreiga a tirania
Dos ásperos Destinos poderosos;
Que não querem que eu logre os amorosos
Olhos, aonde jaz minha alegria:
Oh funesto, oh penoso apartamento!
Objeto encantador de meus sentidos,
A sorte o manda assim, de ti me ausento:
Mas inda lá de longe os meus gemidos
Guiados por Amor, cortando o vento,
Virão, ninfa querida, a teus ouvidos.