Sonetos
Qual novo Orestes entre as Fúrias brada
Qual novo Orestes entre as Fúrias brada,
Infeliz, que não crês no Omnipotente;
Com sistema sacrílego desmente
A razão luminosa, a fé sagrada:
Tua bárbara voz iguale ao nada
O que em todas as cousas tens presente;
Basta que o sábio, o justo, o pio, o crente
Louve a mão, contra os maus do raio armada.
Mas vê, blasfemo ateu, vê, monstro horrendo,
Que a bruta opinião, que cego expressas,
A si mesma se está contradizendo:
Pois quando de negar um Deus não cessas,
De tudo o inerte Acaso autor fazendo,
No Acaso, a teu pesar, um Deus confessas!