Sonetos
Se a minha lastimosa desventura
Se a minha lastimosa desventura
Irreparável é, se trago escrito
No rosto cor da morte o meu delito,
Que louca ideia os passos me segura?
Ah! Some-te, infeliz, foge, e procura
Margens quais as do lívido Cocito,
Brenhas, matos, sertões, errante, aflito,
Até que vás parar na sepultura:
Oh nume enganador, nume falsário!
Oh lúbrica Fortuna de quem rego
Em vão com triste pranto o santuário!
Já sem violência em tuas mãos me entrego;
Sim, vária, aqui me tens inda mais vário,
Cega, a ti me abandono, inda mais cego!