Sonetos
Se na que, morna e lúgubre, murmura
Se na que, morna e lúgubre, murmura,
Corrente averna, como as sombras densa,
Der queda enorme a sôfrega Doença
Que à vida quer sorver-me a fonte impura:
De eleitos vegetais sagaz mistura
Não foi rígido estorvo à morte intensa;
Só pode aos olhos meus virtude imensa
A do horror ferrolhar morada escura:
Arde, oh estro! fulmina o monstro humano,
Que origem vil ao mundo, a si presume,
E à causa divinal repugna, insano:
Salve, princípio d'alma, etéreo lume!...
Se um Deus não fora, que seria Elmano!
Existe o vate, porque existe o nume.