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Sonetos

Pouco a pouco a letífera Doença

Pouco a pouco a letífera Doença
Dirige para mim trêmulos passos;
Eis seus caídos, macilentos braços,
Eis a sua terrífica presença:
Virá pronunciar final sentença,
Em meu rosto cravando os olhos baços,
Virá romper-me à vida os tênues laços
A fouce, contra a qual não há defensa:
Oh! Vem, deidade horrenda, irmã da Morte,
Vem, que esta alma avezada a mil conflitos,
Não se assombra do teu, bem que mais forte:
Mas ah! Mandando ao céu meus ais contritos,
Espero que primeiro que o teu corte
Me acabe viva dor dos meus delitos.

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