Sonetos
Se o grande, o que nos orbes diamantinos
Se o grande, o que nos orbes diamantinos
Tem curvos a seus pés dos reis os fados,
Novamente me der ver animados
De modesta ventura os meus destinos:
Se acordarem na lira os sons divinos,
Que dormem (já da glória não lembrados)
Ao coro eterno cândidos, e alados
Honrar com ele um Deus ireis, meus hinos:
Mas, da humana carreira inda no meio,
Se a débil flor vital sentir murchada
Por lei que envolta na existência veio;
Co'a mente pelos céus toda espraiada,
Direi, d'eternidade ufano e cheio:
«Adeus, oh mundo! Oh natureza! Oh nada!»