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Sonetos

Senhor, que estás no céu, que vês na terra

Senhor, que estás no céu, que vês na terra
Meu frágil coração desfeito em pranto,
Pelas ânsias mortais, o ardor, o encanto
Com que lhe move Amor terrível guerra:
Já que poder imenso em ti se encerra,
Já que aos ingênuos ais atendes tanto,
Socorre-me entre os santos sacrossanto,
Criminosas paixões de mim desterra:
Fugir aos laços de um gentil semblante
Não posso eu só: da tua mão preciso,
Com que prostrou David o atroz gigante:
Fira-me a contrição, torne-me o siso,
Acode-me, senhor, põe-me diante
«Morte, Juízo, Inferno e Paraíso.»

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