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Sonetos

Miseranda Inocência és nome abstrato

Miseranda Inocência és nome abstrato,
És um título vão da humanidade;
Quando se envolve em sombras a verdade,
Quando sofres do crime o duro trato:
Que importa que eu conserve o peito intacto
Das peçonhentas fezes da maldade;
Que em cumprir tuas leis, oh probidade,
Fosse meu coração fiel e exato?
Que importa, se a calúnia m'o desmente,
Se o ser do parecer é tão diverso,
E em vão se opõe o interno ao aparente?
Opinião, rainha do universo,
Ante o teu tribunal omnipotente
Sócrates ímpio foi, e eu sou perverso!

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