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Sonetos

Sobranceiro ao poder, e às leis da sorte

Sobranceiro ao poder, e às leis da sorte,
Amor ouviu meus ais, cumpriu meu gosto:
Já, já sinto nos olhos, peito, e rosto
A névoa, as ânsias, o suor da morte:
A terra mão piedosa me transporte,
E depois que em sepulcro mal composto
Der ao frio cadáver frio encosto,
Estes versos por dó na pedra corte:
«Aqui se esconde Elmano; alegre estado
Algum tempo deveu à amiga estrela,
Foi de Armia amador, de Armia amado:
«Desuniu duro caso o triste, e a bela;
Viver sem ela lhe ordenava o fado;
Quis antes o infeliz morrer por ela.»

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