Sonetos
Áureo fio sutil, que teve unida
Áureo fio sutil, que teve unida
A corpo imaculado uma alma pura,
De mimoso estalou, e a sepultura
Ficou do teu despojo enriquecida:
De mil graças lustrosa a doce vida
Subiu ao cume da imortal ventura;
Dous numes — Inocência, e Formosura
Vão dando ao mundo eterna despedida:
Lá onde a morte, e a terra te devoram,
Na estância do silêncio, e da tristeza,
Inda, Marília, corações te adoram:
Longe da tua divinal beleza
Aos olhos que te viram, que te choram,
Um túmulo parece a natureza.