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Sonetos

Sonho cruel o espírito inquieto

Sonho cruel o espírito inquieto
Me arrebatou a incógnita morada;
Era de bronze a temerosa entrada,
De bronze o pavimento, o muro, o teto:
Ente disforme, de rugoso aspecto,
D'alto assento me diz com voz pesada:
«Té que do meu furor te abrigue o nada,
Fulminei contra ti este decreto:
«Os foros perderás da humanidade,
Teus flagelos serão teus semelhantes,
Hão de extorquir-te a glória e a liberdade:»
N'isto acordo c'os membros titubantes:
Assim temeste, ouvindo, oh férrea Idade,
A queda horrenda, que esmagou gigantes.

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