Sonetos
N'este horrível sepulcro da existência
N'este horrível sepulcro da existência
O triste coração de dor se parte;
A mesquinha razão se vê sem arte,
Com que dome a frenética impaciência:
Aqui pela opressão, pela violência
Que em todos os sentidos se reparte,
Transitório poder quer imitar-te,
Eterna, vingadora omnipotência!
Aqui onde o que o peito abrange, e sente,
Na mais ampla expressão acha estreiteza,
Negra ideia do abismo me assombra a mente.
Difere acaso da infernal tristeza
Não ver terra, nem céu, nem mar, nem gente,
Ser vivo, e não gozar da natureza?