Sonetos
Um Ente, dos mais entes soberano
Um Ente, dos mais entes soberano,
Que abrange a terra, os céus, a eternidade;
Que difunde anual fertilidade,
E aplana as altas serras do oceano:
Um númen só terrível ao tirano,
Não à triste mortal fragilidade;
Eis o Deus, que consola a humanidade,
Eis o Deus da razão, o Deus d'Elmano:
Um déspota de enorme fortaleza,
Pronto sempre o rigor para a ternura,
Raio sempre na mão para a fraqueza:
Um criador funesto à criatura;
Eis o Deus, que horroriza a natureza,
O Deus do fanatismo, ou da impostura.