Sonetos
Urselina gentil, benigna, e pura
Urselina gentil, benigna, e pura,
Eis nas asas sutis de um ai cansado
A ti meu coração voa alagado
Em torrentes de sangue, e de ternura:
Põe-lhe os olhos, meu bem; vê com brandura
Seu miserável, doloroso estado;
Que nas garras da morte já cravado
A fé, que te jurava, inda te jura:
Põe-lhe os olhos, meu bem, suavemente,
Põe-lhe os mimosos dedos na ferida,
Palpa de Amor a vítima inocente:
E por milagre d'eles, oh querida,
Verás cerrar-se o golpe, e de repente
Em ondas de prazer tornar-lhe a vida.