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Sonetos

Em veneno letífero nadando

Em veneno letífero nadando
No roto peito o coração me arqueja;
E ante meus olhos hórrido negreja
De mortais aflições espesso bando:
Por ti, Marília, ardendo, e delirando
Entre as garras aspérrimas da Inveja,
Amaldiçoo Amor, que ri, e adeja
Pelos ares, c'os Zéfiros brincando:
Recreia-se o traidor com meus clamores, —
E meu cioso pranto... oh Jove, oh nume
Que vibras os coriscos vingadores!
Abafa as ondas do tartáreo lume,
Que para os que provocam teus furores
Tens inferno pior, tens o ciúme.

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