Ir para o texto
Biblioteca

Sonetos

Vendo o soberbo Amor, que eu resistia

Vendo o soberbo Amor, que eu resistia
Ao seu poder com ânimo arrogante,
Mostrou-me um doce, angélico semblante,
Que a própria Vênus invejar devia:
Minha néscia altivez, minha ousadia
Em submissão troquei no mesmo instante;
E o deus tirano, achando-se triunfante,
Com voz insultadora me dizia:
«Tu, que escapar às minhas setas queres,
Vil mortal, satisfaze o teu desejo,
Vê, vê Corina, e foge, se poderes.»
«Amor, (lhe respondi) rendido a vejo;
Adoro os olhos seus, com que me feres,
Venero as tuas leis, teus ferros beijo.»

Sobre esta edição