Sonetos
Perverso estragador da formosura
Perverso estragador da formosura,
Alma corrupta, desleal, impia,
Onde interesse, amor, e aleivosia
Jazem com feia, e sórdida mistura:
O fruto que produz tua ternura
São (que assombro!) a vileza, a tirania;
Sacrificas a tua idolatria
Com tuas próprias mãos em ara impura:
Que bruto coração, que torpe amante
Vende o seu gosto? Ah mísera beleza,
Eu te choro, eu te choro, outrem te cante:
Excedeu-se em formar-te a Natureza;
Divina te julguei pelo semblante,
Humana vejo que és pela fraqueza.