Sonetos
Aquela que, de pura castidade
Aquela que, de pura castidade,
De si mesma tomou cruel vingança
Por uma breve e súbita mudança
Contrária à sua honra e qualidade;
Venceu à formosura a honestidade,
Venceu no fim da vida a esperança,
Porque ficasse viva tal lembrança,
Tal amor, tanta fé, tanta verdade.
De si, da gente e do mundo esquecida,
Feriu com duro ferro o brando peito,
Banhando em sangue a força do tirano.
Oh ousadia estranha! estranho feito!
Que dando breve morte ao corpo humano,
Tenha sua memória larga vida!