Sonetos
Se tomo a minha pena em penitência
Se tomo a minha pena em penitência
Do error em que caiu o pensamento,
Não abrando, mas dobro meu tormento,
Que a tanto, e mais, obriga a paciência.
E se uma cor de morto na aparência,
Um espalhar suspiros vãos ao vento
Não faz em vós, Senhora, movimento,
Fique o meu mal em vossa consciência.
Mas se de qualquer áspera mudança
Toda vontade isenta Amor castiga,
(Como eu vejo no mal que me condena)
E se em vós não se entende haver vingança,
Será forçado (pois Amor me obriga)
Que eu só da culpa vossa pague a pena.