Sonetos
Erros meus, má Fortuna, Amor ardente
Erros meus, má Fortuna, Amor ardente
Em minha perdição se conjuraram:
Os erros e a Fortuna sobejaram;
Que para mi bastava Amor somente.
Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas, que passaram,
Que já as frequências suas me ensinaram
A desejos deixar de ser contente.
Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa a que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.
De Amor não vi senão breves enganos.
Oh quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Gênio de vinganças!