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Sonetos

Foi já n'um tempo doce cousa amar

Foi já n'um tempo doce cousa amar,
Enquanto me enganou uma esperança:
O coração com esta confiança
Todo se desfazia em desejar.
Oh vão, caduco e débil esperar!
Como, enfim, desengana uma mudança!
Que quanto é mor a bem-aventurança,
Tanto menos se crê que há de durar.
Quem já se viu com gostos prosperado,
Vendo-se brevemente em pena tanta,
Razão tem de viver bem magoado.
Mas quem já tem o mundo exprimentado,
Não o magoa a pena, nem o espanta;
Que mal se estranhara o costumado.

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