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Sonetos

Ondados fios de ouro reluzente

Ondados fios de ouro reluzente,
Que agora da mão bela recolhidos,
Agora sobre as rosas esparzidos
Fazeis que a sua graça se acrescente;
Olhos, que vos moveis tão docemente,
Em mil divinos raios incendidos,
Se de cá me levais a alma e sentidos,
Que fora, se eu de vós não fora ausente?
Honesto riso, que entre a mor fineza
De perlas e corais nasce e aparece;
Oh quem seus doces ecos já lhe ouvisse!
Se imaginando só tanta beleza,
De si com nova glória a alma se esquece,
Que será quando a vir? Ah quem a visse!

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