Sonetos
Já a roxa e branca Aurora destoucava
Já a roxa e branca Aurora destoucava
Os seus cabelos de ouro delicados,
E das flores os campos esmaltados
Com cristalino orvalho borrifava;
Quando o formoso gado se espalhava
De Sílvio e de Laurente por os prados;
Pastores ambos, e ambos apartados,
De quem o mesmo amor não se apartava.
Com verdadeiras lágrimas Laurente,
Não sei, (dizia) ó Ninfa delicada,
Porque não morre já quem vive ausente;
Pois a vida sem ti não presta nada.
Responde Sílvio: Amor não o consente:
Que ofende as esperanças da tornada.