Sonetos
Quando de minhas mágoas a comprida
Quando de minhas mágoas a comprida
Maginação os olhos me adormece,
Em sonhos aquela alma me aparece,
Que para mi foi sonho nesta vida.
Lá n'uma soidade, onde estendida
A vista por o campo desfalece,
Corro após ela; e ela então parece
Que mais de mi se alonga, compelida.
Brado: Não me fujais, sombra benina.
Ela (os olhos em mi co'um brando pejo,
Como quem diz, que já não pode ser)
Torna a fugir-me: torno a bradar: Dina...
E antes que diga mene, acordo, e vejo
Que nem um breve engano posso ter.