Sonetos
Por sua Ninfa Céfalo deixava
Por sua Ninfa Céfalo deixava
A Aurora, que por ele se perdia,
Posto que dá princípio ao claro dia,
Posto que as roxas flores imitava.
Ele, que a bela Prócris tanto amava,
Que só por ela tudo enjeitaria,
Deseja de tentar se lhe acharia
Tão firme fé, como ela nele achava.
Mudado o traje, tece um duro engano;
Outro se finge, preço põe diante;
Quebra-se a fé mudável, e consente.
Oh sutil invenção para seu dano!
Vede que manhas busca um cego amante
Para que sempre seja descontente!