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Sonetos

Sentindo-se alcançada a bela esposa

Sentindo-se alcançada a bela esposa
De Céfalo no crime consentido,
Para os montes fugia do marido;
E não sei se de astuta, ou vergonhosa.
Porque ele, enfim, sofrendo a dor ciosa,
Da cegueira obrigado de Cupido,
Após ela se vai como perdido,
Já perdoando a culpa criminosa.
Deita-se aos pés da Ninfa endurecida,
Que do cioso engano está agravada;
Já lhe pede perdão, já pede a vida.
Oh força d'afeição desatinada!
Que da culpa contr'ele cometida,
Perdão pedia à parte que é culpada!

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