Sonetos
Tomava Daliana por vingança
Tomava Daliana por vingança
Da culpa do pastor que tanto amava,
Casar com Gil vaqueiro; e em si vingava
O erro alheio, e pérfida esquivança.
A discrição segura, a confiança
Das rosas que o seu rosto debuxava,
O descontentamento lhas mudava;
Que tudo muda uma áspera mudança.
Gentil planta disposta em seca terra;
Lindo fruto de dura mão colhido;
Lembranças de outro amor, e fé perjura,
Tornaram verde prado em serra dura;
Interesse enganoso, amor fingido,
Fizeram desditosa a formosura.