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Sonetos

Tomou-me vossa vista soberana

Tomou-me vossa vista soberana
Adonde tinha as armas mais à mão,
Por mostrar a quem busca defensão
Contra esses belos olhos, que se engana.
Por ficar da vitória mais ufana,
Deixou-me armar primeiro da razão.
Bem salvar-me cuidei, mas foi em vão,
Que contra o Céu não val defensa humana.
Contudo, se vos tinha prometido
O vosso alto destino esta vitória,
Ser-vos ela bem pouca está entendido.
Pois, inda que eu me achasse apercebido,
Não levais de vencer-me grande glória,
Eu a levo maior de ser vencido.

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