A Costela do Grã Cão
Grã Cão do Outubro, III – Estâncias
15-X-33
No caminho da cidade,
Oh vós, homens que andais pelo caminho,
Olhai-me, cercai-me todos, abraçai-me,
Abraçai-me de amor e de amigo, na meiga carícia indecisa,
Cegos, mudos, viris, na imperfeição irremediável.
(b)
No caminho da cidade
Meus olhos se rasgam na volúpia de amor,
Torres, chaminés perto, notícias, milhões de notícias,
Dor... Este profundo mal de amar indestinado,
Como a primavera que fareja a cidade através do sol frio.
(c)
No caminho da cidade
Que estranha ressonância, frautas, membis, andorinhas:
Tudo alargou, tudo está ereto de repente,
Minhas mãos penetram no ar reconhecidas,
Desfaleço, meus olhos se turvam, me encosto.
(d)
No caminho da cidade
Mas não posso esquecer!
Oh meu amor, este grito avançando através das idades...
Me beija! me sufoca nos teus braços!
Que eu só desejo ser vencido logo
Para te perfurar com a cadência do dia e da noite
E sermos aulados numa paz sem colisão...