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A Costela do Grã Cão

Grã Cão do Outubro, IV – poema tridente

Outubro de 1933
Vosso corpo seria encontrado nos desertos.
Sois tão linda... você é a Lei!
Você é tão mal contrária a essas mil leis humanas
Que avançam cegas insensíveis sobre o horror...
Você é tal e qual, bem polida,
Sem erros, cadencial.
Oh besta fera maldita,
Você é mas é um braço esfomeado terminando em faísca de gládio,
Caindo aqui, varrendo além,
Voando, cego braço, aterrissando no meio das turbas,
Matando gente, depredando gente, inventando orfanatos,
Bandos de caravanas de lperosos,
Exílios pra judeus, pra paulistas, pra estudantada cubana,
Eu te amo de um amor educado no inferno!
Te mordo no peito até o sangue escorrer
Me dando socos, chorando, chamando de bruto, de cão,
O Grão Cão é o Mildiabo educado sozinho no inferno!
Nos debatemos, o braço esfomeado braceja,
Golpeia aqui, matou centenas de operários,
Queima cafezais, trigais, canaviais, desocupados
Quebra os museus grandiosos,
Usa a lei de fugir pra estudantada cubana,
E no esforço subrosso colhendo com o gládio o subsolo da Europa,
Abaixo os tiranos! abaixo Afonso XIII!
O mar fez maremoto, e convulsivos
Nos odiando no mesmo abraço confundidos,
Eleitos, desesperados na febre de amar
Jorramos em lucilações fantásticas tremendas,
Todo o nosso ardor vai se esgotar na seiva!
Você é lindíssima! E polida e cadencial feito uma lei!
Mas eu sou o Grão Cão que te marquei um bocado com o crime dos mundos!
E agora nem de perdão carecemos
No mesmo abraço desaparecidos.

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