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Parte II

Chapitre XII — De la retraite spirituelle

Capítulo XII — Do retiro espiritual

II.12 C’est ici, chère Philothée, où je vous souhaite fort affectionnée à suivre mon conseil ; car en cet article consiste l’un des plus assurés moyens de votre avancement spirituel.

II.12 É aqui, cara Filoteia, que vos desejo muito afeiçoada a seguir o meu conselho; porque neste artigo consiste um dos meios mais seguros do vosso progresso espiritual.

Rappelez le plus souvent que vous pourrez parmi la journée votre esprit en la présence de Dieu par l’une des quatre façons que je vous ai remarquées ; regardez ce que Dieu fait et ce que vous faites : vous verrez ses yeux tournés de votre côté, et perpétuellement fichés sur vous par un amour incomparable. O Dieu, ce direz-vous, pourquoi ne vous regardé-je toujours, comme toujours vous me regardez ? Pourquoi pensez-vous en moi si souvent, mon Seigneur, et pourquoi pensé-je si peu souvent en vous ? Où sommes-nous, o mon âme ? notre vraie place, c’est Dieu, et où est-ce que nous nous trouvons ?

Chamai de volta o vosso espírito à presença de Deus, o mais frequentemente que puderdes ao longo do dia, por uma das quatro maneiras que vos indiquei; olhai o que Deus faz e o que vós fazeis: vereis os olhos dele voltados para o vosso lado, e perpetuamente fixos em vós por um amor incomparável. Ó Deus, direis vós, por que não vos olho sempre, como sempre vós me olhais? Por que pensais em mim tantas vezes, meu Senhor, e por que penso tão poucas vezes em vós? Onde estamos, ó minha alma? O nosso verdadeiro lugar é Deus, e onde é que nos encontramos?

Comme les oiseaux ont des nids sur les arbres pour faire leur retraite quand ils en ont besoin, et les cerfs ont leurs buissons et leurs forts dans lesquels ils se recèlent et mettent à couvert, prenant la fraîcheur de l’ombre en été ; ainsi, Philothée, nos cœurs doivent prendre et choisir quelque place chaque jour, ou sur le mont de Calvaire, ou ès plaies de Notre Seigneur, ou en quelque autre lieu proche de lui, pour y faire leur retraite à toutes sortes d’occasions, et là s’alléger et recréer entre les affaires extérieures, et pour y être comme dans un fort, afin de se défendre des tentations. Bienheureuse sera l’âme qui pourra dire en vérité à Notre Seigneur : « Vous êtes ma maison de refuge, mon rempart assuré, mon toit contre la pluie et mon ombre contre la chaleur ».

Assim como as aves têm ninhos nas árvores para se recolherem quando precisam, e os cervos têm as suas moitas e os seus esconderijos, nos quais se ocultam e se põem a coberto, tomando no verão o fresco da sombra, assim, Filoteia, os nossos corações devem tomar e escolher algum lugar cada dia, ou no monte Calvário, ou nas chagas de Nosso Senhor, ou em algum outro lugar perto dele, para ali fazerem o seu retiro em toda sorte de ocasiões, e ali se aliviarem e recrearem entre os negócios exteriores, e para estarem ali como numa fortaleza, a fim de se defenderem das tentações. Bem-aventurada será a alma que puder dizer com verdade a Nosso Senhor: «Vós sois a minha casa de refúgio, a minha muralha segura, o meu teto contra a chuva e a minha sombra contra o calor».

Ressouvenez-vous donc, Philothée, de faire toujours plusieurs retraites en la solitude de votre cœur, pendant que corporellement vous êtes parmi les conversations et affaires ; et cette solitude mentale ne peut nullement être empêchée par la multitude de ceux qui vous sont autour, car ils ne sont pas autour de votre cœur, ains autour de votre corps, si que votre cœur demeure lui tout seul en la présence de Dieu seul. C’est l’exercice que faisait le roi David parmi tant d’occupations qu’il avait, ainsi qu’il le témoigne par mille traits de ses psaumes, comme quand il dit : « O Seigneur, et moi je suis toujours avec vous. Je vois mon Dieu toujours devant moi. J’ai élevé mes yeux à vous, o mon Dieu, qui habitez au ciel. Mes yeux sont toujours à Dieu ». Et aussi les conversations ne sont pas ordinairement si sérieuses qu’on ne puisse de temps en temps en retirer le cœur pour le remettre en cette divine solitude.

Lembrai-vos, pois, Filoteia, de fazer sempre muitos retiros na solidão do vosso coração, enquanto corporalmente estais no meio das conversações e dos negócios; e esta solidão mental não pode de modo algum ser impedida pela multidão dos que estão à vossa volta, porque eles não estão em volta do vosso coração, mas em volta do vosso corpo, de modo que o vosso coração permanece, ele sozinho, na presença de Deus só. É o exercício que fazia o rei Davi no meio de tantas ocupações que tinha, como o testemunha em mil passagens dos seus salmos, como quando diz: «Ó Senhor, e eu estou sempre convosco. Vejo o meu Deus sempre diante de mim. Levantei os meus olhos a vós, ó meu Deus, que habitais no céu. Os meus olhos estão sempre em Deus». E, além disso, as conversações não são ordinariamente tão sérias que não se possa, de tempo em tempo, retirar delas o coração para o recolocar nesta divina solidão.

Les père et mère de sainte Catherine de Sienne lui ayant ôté toute commodité du lieu et de loisir pour prier et méditer, Notre Seigneur l’inspira de faire un petit oratoire intérieur en son esprit, dedans lequel se retirant mentalement, elle pût parmi les affaires extérieures vaquer à cette sainte solitude cordiale. Et depuis, quand le monde l’attaquait, elle n’en recevait nulle incommodité, parce, disait-elle, qu’elle s’enfermait dans son cabinet intérieur, où elle se consolait avec son céleste Époux. Aussi dès lors elle conseillait à ses enfants spirituels de se faire une chambre dans le cœur et d’y demeurer.

Como o pai e a mãe de santa Catarina de Sena lhe tivessem tirado toda comodidade de lugar e de vagar para rezar e meditar, Nosso Senhor inspirou-lhe que fizesse um pequeno oratório interior no seu espírito, no qual, retirando-se mentalmente, ela pudesse, no meio dos negócios exteriores, entregar-se a esta santa solidão do coração. E, depois, quando o mundo a atacava, não recebia disso nenhum incômodo, porque, dizia ela, se encerrava no seu gabinete interior, onde se consolava com o seu celeste Esposo. Por isso, desde então, aconselhava aos seus filhos espirituais que fizessem um quarto dentro do coração e nele morassem.

Retirez donc quelquefois votre esprit dedans votre cœur, où, séparée de tous les hommes, vous puissiez traiter cœur à cœur de votre âme avec son Dieu, pour dire avec David : « J’ai veillé et ai été semblable au pélican de la solitude ; j’ai été fait comme le chat-huant ou le hibou dans les masures, et comme le passereau solitaire au toit ». Lesquelles paroles, outre leur sens littéral (qui témoigne que ce grand roi prenait quelques heures pour se tenir solitaire en la contemplation des choses spirituelles), nous montrent en leur sens mystique trois excellentes retraites et comme trois hermitages, dans lesquels nous pouvons exercer notre solitude à l’imitation de notre Sauveur, lequel sur le mont de Calvaire fut comme le pélican de la solitude, qui de son sang ravive ses poussins morts ; en sa Nativité dans une établerie déserte, il fut comme le hibou dedans la masure, plaignant et pleurant nos fautes et péchés ; et au jour de son Ascension, il fut comme le passereau, se retirant et volant au ciel qui est comme le toit du monde ; et en tous ces trois lieux, nous pouvons faire nos retraites emmi le tracas des affaires. Le bienheureux Elzéar, comte d’Arian en Provence, ayant été longuement absent de sa dévote et chaste Delfine, elle lui envoya un homme exprès pour savoir de sa santé, et il lui fît réponse : « Je me porte fort bien, ma chère femme ; que si vous me voulez voir, cherchez-moi en la plaie du côté de notre doux Jésus, car c’est là où j’habite et où vous me trouverez ; ailleurs, vous me chercherez pour néant ». C’était un chevalier chrétien, celui-là !

Retirai, pois, às vezes o vosso espírito para dentro do vosso coração, onde, separada de todos os homens, possais tratar coração a coração da vossa alma com o seu Deus, para dizer com Davi: «Velei e fui semelhante ao pelicano da solidão; fiz-me como a coruja ou o mocho nas ruínas, e como o pardal solitário no telhado». As quais palavras, além do seu sentido literal (que testemunha que este grande rei tomava algumas horas para se manter solitário na contemplação das coisas espirituais), nos mostram, no seu sentido místico, três excelentes retiros e como três eremitérios, nos quais podemos exercer a nossa solidão à imitação do nosso Salvador, o qual, no monte Calvário, foi como o pelicano da solidão, que com o seu sangue reanima os filhotes mortos; na sua Natividade, num estábulo deserto, foi como o mocho na ruína, lamentando e chorando as nossas faltas e pecados; e no dia da sua Ascensão foi como o pardal, retirando-se e voando ao céu, que é como o telhado do mundo; e em todos estes três lugares podemos fazer os nossos retiros no meio da azáfama dos negócios. O bem-aventurado Elzeário, conde de Ariano, na Provença, tendo estado muito tempo ausente da sua devota e casta Delfina, ela lhe mandou um homem de propósito para saber da sua saúde, e ele lhe deu esta resposta: «Estou muito bem, minha querida esposa; e, se me quiserdes ver, procurai-me na chaga do lado do nosso doce Jesus, porque é lá que habito e lá me encontrareis; noutra parte, em vão me procurareis». Era um cavaleiro cristão, esse!

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