Parte II
Chapitre XIII — Des aspirations, oraisons jaculatoires et bonnes pensées
Capítulo XIII — Das aspirações, orações jaculatórias e bons pensamentos
II.13 On se retire en Dieu parce qu’on aspire à lui, et on y aspire pour s’y retirer ; si que l’aspiration en Dieu et la retraite spirituelle s’entretiennent l’une l’autre, et toutes deux proviennent et naissent des bonnes pensées.
II.13 Retiramo-nos em Deus porque aspiramos a ele, e aspiramos a ele para nos retirarmos nele; de modo que a aspiração a Deus e o retiro espiritual se sustentam um ao outro, e ambos procedem e nascem dos bons pensamentos.
Aspirez donc bien souvent en Dieu, Philothée, par des courts mais ardents élancements de votre cœur : admirez sa beauté, invoquez son aide, jetez-vous en esprit au pied de la croix, adorez sa bonté, interrogez-le souvent sur votre salut, donnez-lui mille fois le jour votre âme, fichez vos yeux intérieurs sur sa douceur, tendez-lui la main, comme un petit enfant à son père, afin qu’il vous conduise, mettez-le sur votre poitrine comme un bouquet délicieux, plantez-le en votre âme comme un étendard, et faites mille sortes de divers mouvements de votre cœur pour vous donner de l’amour de Dieu, et vous exciter à une passionnée et tendre dilection de ce divin Époux.
Aspirai, pois, muitas vezes a Deus, Filoteia, por breves mas ardentes impulsos do vosso coração: admirai a sua beleza, invocai a sua ajuda, lançai-vos em espírito ao pé da cruz, adorai a sua bondade, interrogai-o muitas vezes sobre a vossa salvação, dai-lhe mil vezes por dia a vossa alma, fixai os vossos olhos interiores na sua doçura, estendei-lhe a mão, como uma criancinha ao seu pai, para que ele vos conduza, ponde-o sobre o vosso peito como um ramalhete delicioso, plantai-o na vossa alma como um estandarte, e fazei mil sortes de diversos movimentos do vosso coração para vos encherdes de amor de Deus e vos excitardes a uma apaixonada e terna dileção por este divino Esposo.
On fait ainsi les oraisons jaculatoires, que le grand saint Augustin conseille si soigneusement à la dévote dame Proba. Philothée, notre esprit s’adonnant à la hantise, privauté et familiarité de son Dieu, se parfumera tout de ses perfections ; et si, cet exercice n’est point malaisé, car il se peut entrelacer en toutes nos affaires et occupations, sans aucunement les incommoder, d’autant que, soit en la retraite spirituelle, soit en ces élancements intérieurs, on ne fait que des petits et courts divertissements qui n’empêchent nullement, ains servent de beaucoup à la poursuite de ce que nous faisons. Le pèlerin qui prend un peu de vin pour réjouir son cœur et rafraîchir sa bouche, bien qu’il s’arrête un peu pour cela, ne rompt pourtant pas son voyage, ains prend de la force pour le plus vitement et aisément parachever, ne s’arrêtant que pour mieux aller.
Assim se fazem as orações jaculatórias, que o grande santo Agostinho aconselha tão cuidadosamente à devota senhora Proba. Filoteia, o nosso espírito, entregando-se à convivência, à intimidade e à familiaridade com o seu Deus, se perfumará todo das suas perfeições; e, além disso, este exercício não é difícil, porque se pode entremear em todos os nossos negócios e ocupações sem os incomodar de modo algum, visto que, seja no retiro espiritual, seja nestes impulsos interiores, não se fazem senão pequenos e breves desvios, que de modo algum impedem, antes servem muito ao prosseguimento do que fazemos. O peregrino que toma um pouco de vinho para alegrar o coração e refrescar a boca, embora pare um pouco para isso, não interrompe, contudo, a sua viagem, mas toma forças para acabá-la mais depressa e facilmente, não parando senão para andar melhor.
Plusieurs ont ramassé beaucoup d’aspirations vocales, qui vraiment sont fort utiles ; mais par mon avis, vous ne vous astreindrez point à aucune sorte de paroles, ains prononcerez ou de cœur ou de bouche celles que l’amour vous suggérera sur le champ, car il vous en fournira tant que vous voudrez. Il est vrai qu’il y a certains mots qui ont une force particulière pour contenter le cœur en cet endroit, comme sont les élancements semés si dru dedans les psaumes de David, les invocations diverses du nom de Jésus, et les traits d’amour qui sont imprimés au Cantique des Cantiques. Les chansons spirituelles servent encore à même intention, pourvu qu’elles soient chantées avec attention.
Muitos reuniram grande quantidade de aspirações vocais, que verdadeiramente são muito úteis; mas, a meu parecer, não vos obrigareis a nenhuma espécie de palavras, mas pronunciareis, ou de coração ou de boca, as que o amor vos sugerir na hora, porque ele vos fornecerá quantas quiserdes. É verdade que há certas palavras que têm uma força particular para contentar o coração neste ponto, como são os impulsos semeados tão densamente nos salmos de Davi, as diversas invocações do nome de Jesus e os dardos de amor que estão impressos no Cântico dos Cânticos. As canções espirituais servem também para o mesmo fim, contanto que sejam cantadas com atenção.
Enfin, comme ceux qui sont amoureux d’un amour humain et naturel ont presque toujours leurs pensées tournées du côté de la chose aimée, leur cœur plein d’affection envers elle, leur bouche remplie de ses louanges, et qu’en son absence ils ne perdent point d’occasion de témoigner leurs passions par lettres, et ne trouvent point d’arbre sur l’écorce duquel ils n’écrivent le nom de ce qu’ils aiment ; ainsi ceux qui aiment Dieu ne peuvent cesser de penser en lui, respirer pour lui, aspirer à lui et parler de lui, et voudraient, s’il était possible, graver sur la poitrine de toutes les personnes du monde le saint et sacré nom de Jésus. A quoi même toutes choses les invitent, et n’y a créature qui ne leur annonce la louange de leur bien-aimé ; et, comme dit saint Augustin après saint Antoine, tout ce qui est au monde leur parle d’un langage muet mais fort intelligible en faveur de leur amour ; toutes choses les provoquent à des bonnes pensées, desquelles par après naissent force saillies et aspirations en Dieu. Et voici quelques exemples : Saint Grégoire, évêque de Nazianze, ainsi que lui-même racontait à son peuple, se promenant sur le rivage de la mer, considérait comme les ondes s’avançant sur la grève laissaient des coquilles et petits cornets, tiges d’herbes, petites huîtres et semblables brouilleries que la mer rejetait, et par manière de dire crachait dessus le bord ; puis, revenant par des autres vagues, elle reprenait et engloutissait derechef une partie de cela, tandis que les rochers des environs demeuraient fermes et immobiles, quoique les eaux vinssent rudement battre contre iceux. Or sur cela, il fit cette belle pensée : que les faibles, comme coquilles, cornets et tiges d’herbes, se laissent emporter tantôt à l’affliction, tantôt à la consolation, à la merci des ondes et vagues de la fortune, mais que les grands courages demeurent fermes et immobiles à toutes sortes d’orages ; et de cette pensée, il fit naître ces élancements de David : « O Seigneur, sauvez-moi, car les eaux ont pénétré jusques à mon âme ! O Seigneur, délivrez-moi du profond des eaux ! Je suis porté au profond de la mer et la tempête m’a submergé ». Car alors il était en affliction pour la malheureuse usurpation que Maximus avait entreprise sur son évêché. Saint Fulgence, évêque de Ruspe, se trouvant en une assemblée générale de la noblesse romaine que Théodoric roi des Goths haranguait, et voyant la splendeur de tant de seigneurs qui étaient en rang chacun selon sa qualité : « O Dieu, dit-il, combien doit être belle la Jérusalem céleste, puisqu’ici-bas on voit si pompeuse Rome la terrestre ! Et si en ce monde tant de splendeur est concédée aux amateurs de la vanité, quelle gloire doit être réservée en l’autre monde aux contemplateurs de la vérité ! »
Enfim, assim como os que estão enamorados de um amor humano e natural têm quase sempre os seus pensamentos voltados para o lado da coisa amada, o coração cheio de afeição por ela, a boca repleta dos seus louvores, e, na sua ausência, não perdem ocasião de testemunhar as suas paixões por cartas, e não encontram árvore em cuja casca não escrevam o nome do que amam; assim os que amam a Deus não podem deixar de pensar nele, respirar por ele, aspirar a ele e falar dele, e quereriam, se fosse possível, gravar no peito de todas as pessoas do mundo o santo e sagrado nome de Jesus. A isso mesmo todas as coisas os convidam, e não há criatura que não lhes anuncie o louvor do seu bem-amado; e, como diz santo Agostinho depois de santo Antão, tudo o que há no mundo lhes fala, numa linguagem muda, mas muito inteligível, em favor do seu amor; todas as coisas os provocam a bons pensamentos, dos quais depois nascem muitos arroubos e aspirações a Deus. E eis alguns exemplos. São Gregório, bispo de Nazianzo, como ele mesmo contava ao seu povo, passeando pela praia do mar, considerava como as ondas, avançando sobre a areia, deixavam conchas e pequenos búzios, talos de ervas, pequenas ostras e outras miudezas semelhantes que o mar rejeitava e, por assim dizer, cuspia sobre a borda; depois, voltando com outras vagas, retomava e engolia de novo uma parte daquilo, enquanto os rochedos dos arredores permaneciam firmes e imóveis, embora as águas viessem bater rudemente contra eles. Ora, sobre isso, formou ele este belo pensamento: que os fracos, como conchas, búzios e talos de ervas, se deixam levar ora pela aflição, ora pela consolação, à mercê das ondas e vagas da fortuna, mas que os grandes ânimos permanecem firmes e imóveis em toda sorte de tempestades; e deste pensamento fez nascer estes impulsos de Davi: «Ó Senhor, salvai-me, porque as águas penetraram até a minha alma! Ó Senhor, livrai-me do fundo das águas! Fui levado ao fundo do mar, e a tempestade me submergiu». Porque estava então em aflição pela desgraçada usurpação que Máximo empreendera sobre o seu bispado. São Fulgêncio, bispo de Ruspe, achando-se numa assembleia geral da nobreza romana, a que Teodorico, rei dos godos, dirigia uma arenga, e vendo o esplendor de tantos senhores, que estavam em fila, cada um segundo a sua condição: «Ó Deus, disse ele, quão bela deve ser a Jerusalém celeste, visto que aqui embaixo se vê tão pomposa Roma, a terrestre! E, se neste mundo tanto esplendor é concedido aos amadores da vaidade, que glória deve estar reservada no outro mundo aos contempladores da verdade!»
On dit que saint Anselme, archevêque de Cantorbéry, duquel la naissance a grandement honoré nos montagnes, était admirable en cette pratique des bonnes pensées. Un levraut pressé des chiens accourut sous le cheval de ce saint prélat, qui pour lors voyageait, comme à un refuge que le péril éminent de la mort lui suggérait ; et les chiens clabaudant tout autour n’osaient entreprendre de violer l’immunité à laquelle leur proie avait eu recours ; spectacle certes extraordinaire, qui faisait rire tout le train, tandis que le grand Anselme, pleurant et gémissant : « Ah ! vous riez, disait-il, mais la pauvre bête ne rit pas ; les ennemis de l’âme, poursuivie et malmenée par divers détours en toutes sortes de péchés, l’attendent au détroit de la mort pour la ravir et dévorer, et elle, tout effrayée, cherche partout secours et refuge ; que si elle n’en trouve point, ses ennemis s’en moquent et s’en rient ». Ce qu’ayant dit, il s’en alla soupirant. Constantin le Grand écrivit honorablement à saint Antoine ; de quoi les religieux qui étaient autour de lui furent fort étonnés, et il leur dit : « Comme admirez-vous qu’un roi écrive à un homme ? Admirez plutôt de quoi Dieu éternel a écrit sa loi aux mortels, ains leur a parlé bouche à bouche en la personne de son Fils ». Saint François voyant une brebis toute seule emmi un troupeau de boucs : « Regardez, dit-il à son compagnon, comme cette pauvre petite brebis est douce parmi ces chèvres ; Notre Seigneur allait ainsi doux et humble entre les Pharisiens ». Et voyant une autre fois un petit agnelet, mangé par un pourceau : « Eh ! petit agnelet, dit-il tout en pleurant, que tu représentes vivement la mort de mon sauveur ! »
Diz-se que santo Anselmo, arcebispo de Cantuária, cujo nascimento honrou grandemente as nossas montanhas, era admirável nesta prática dos bons pensamentos. Um filhote de lebre acossado pelos cães correu para debaixo do cavalo deste santo prelado, que então viajava, como para um refúgio que o perigo iminente da morte lhe sugeria; e os cães, latindo ao redor, não ousavam atrever-se a violar a imunidade a que a sua presa tinha recorrido; espetáculo, decerto, extraordinário, que fazia rir toda a comitiva, enquanto o grande Anselmo, chorando e gemendo: «Ah! vós rides, dizia ele, mas o pobre bicho não ri; os inimigos da alma, perseguida e maltratada por diversos rodeios em toda sorte de pecados, esperam-na no estreito da morte para a arrebatar e devorar, e ela, toda espantada, busca por toda parte socorro e refúgio; e, se não o encontra, os seus inimigos zombam dela e riem-se dela». Dito isso, foi-se suspirando. Constantino, o Grande, escreveu honrosamente a santo Antão; com o que os religiosos que estavam em torno dele ficaram muito admirados, e ele lhes disse: «Como vos admirais de que um rei escreva a um homem? Admirai-vos antes de que o Deus eterno tenha escrito a sua lei aos mortais, e mais ainda, lhes tenha falado boca a boca na pessoa do seu Filho». São Francisco, vendo uma ovelha toda sozinha no meio de um rebanho de bodes: «Olhai, disse ele ao seu companheiro, como esta pobre ovelhinha é mansa no meio destas cabras; Nosso Senhor andava assim manso e humilde entre os fariseus». E, vendo outra vez um cordeirinho comido por um porco: «Ah! cordeirinho, disse ele, todo em lágrimas, como representas vivamente a morte do meu Salvador!»
Ce grand personnage de notre âge, François Borgia, pour lors encore duc de Candie, allant à la chasse faisait mille dévotes conceptions : « J’admirais, disait-il lui-même par après, comme les faucons reviennent sur le poing, se laissent couvrir les yeux et attacher à la perche, et que les hommes se rendent si revêches à la voix de Dieu ». Le grand saint Basile dit que la rose emmi les épines fait cette remontrance aux hommes : « Ce qui est de plus agréable en ce monde, o mortels, est mêlé de tristesse ; rien n’y est pur : le regret est toujours collé à l’allégresse, la viduité au mariage, le soin à la fertilité, l’ignominie à la gloire, la dépense aux honneurs, le dégoût aux délices et la maladie à la santé. C’est une belle fleur, dit ce saint personnage, que la rose ; mais elle me donne une grande tristesse, m’avertissant de mon péché, pour lequel la terre a été condamnée de porter les épines ». Une âme dévote regardant un ruisseau, et y voyant le ciel représenté avec les étoiles en une nuit bien sereine : « O mon Dieu, dit-elle, ces mêmes étoiles seront dessous mes pieds quand vous m’aurez logée dans vos saints tabernacles ; et comme les étoiles du ciel sont représentées en la terre, ainsi les hommes de la terre sont représentés au ciel en la vive fontaine de la charité divine ». L’autre, voyant un fleuve flotter, s’écriait ainsi : « Mon âme n’aura jamais repos qu’elle ne se soit abîmée dedans la mer de la Divinité qui est son origine » ; et sainte Françoise, considérant un agréable ruisseau sur le rivage duquel elle s’était agenouillée pour prier, fut ravie en extase, répétant plusieurs fois ces paroles tout bellement : « La grâce de mon Dieu coule ainsi doucement et souèvement comme ce petit ruisseau ». Un autre voyant les arbres fleuris soupirait : « Pourquoi suis-je seul défleuri au jardin de l’Église ? » Un autre voyant des petits poussins ramassés sous leur mère : « O Seigneur, dit-il, conservez-nous sous l’ombre de vos ailes ». L’autre, voyant le tourne-soleil, dit : « Quand sera-ce, mon Dieu, que mon âme suivra les attraits de votre bonté ? » Et voyant des pensées de jardin, belles à la vue mais sans odeur : « Eh ! dit-il, telles sont mes cogitations, belles à dire, mais sans effet ni production ».
Aquele grande personagem do nosso tempo, Francisco de Borja, então ainda duque de Gandia, indo à caça, fazia mil concepções devotas: «Eu admirava, dizia ele mesmo depois, como os falcões voltam ao punho, se deixam cobrir os olhos e prender à vara, e que os homens se mostram tão rebeldes à voz de Deus». O grande são Basílio diz que a rosa no meio dos espinhos faz esta admoestação aos homens: «O que há de mais agradável neste mundo, ó mortais, está misturado de tristeza; nada aqui é puro: o pesar está sempre colado à alegria, a viuvez ao casamento, o cuidado à fecundidade, a ignomínia à glória, a despesa às honras, o fastio às delícias e a doença à saúde. É uma bela flor, diz este santo personagem, a rosa; mas me dá uma grande tristeza, advertindo-me do meu pecado, pelo qual a terra foi condenada a produzir espinhos». Uma alma devota, olhando um regato e vendo nele o céu refletido com as estrelas, numa noite bem serena: «Ó meu Deus, disse ela, estas mesmas estrelas estarão debaixo dos meus pés quando me tiverdes alojado nos vossos santos tabernáculos; e, assim como as estrelas do céu estão representadas na terra, assim os homens da terra estão representados no céu, na fonte viva da caridade divina». Outra, vendo correr um rio, exclamava assim: «A minha alma nunca terá repouso enquanto não se tiver abismado no mar da Divindade, que é a sua origem»; e santa Francisca, considerando um agradável regato, em cuja margem se tinha ajoelhado para rezar, foi arrebatada em êxtase, repetindo muitas vezes, bem devagar, estas palavras: «A graça do meu Deus corre assim doce e suavemente como este pequeno regato». Outro, vendo as árvores floridas, suspirava: «Por que sou eu o único sem flor no jardim da Igreja?» Outro, vendo uns pintinhos reunidos debaixo da mãe: «Ó Senhor, disse ele, conservai-nos à sombra das vossas asas». Outro, vendo o girassol, disse: «Quando será, meu Deus, que a minha alma seguirá os atrativos da vossa bondade?» E, vendo uns pensamentos de jardim, belos à vista, mas sem perfume: «Ah! disse ele, tais são as minhas cogitações: belas de dizer, mas sem efeito nem fruto».
Voilà, ma Philothée, comme l’on tire les bonnes pensées et saintes aspirations de ce qui se présente en la variété de cette vie mortelle. Malheureux sont ceux qui détournent les créatures de leur Créateur pour les contourner au péché ; bienheureux sont ceux qui contournent les créatures à la gloire de leur Créateur, et emploient leur vanité à l’honneur de la vérité. « Certes dit saint Grégoire Nazianzène, j’ai accoutumé de rapporter toutes choses à mon profit spirituel ». Lisez la dévote épitaphe que saint Jérôme a faite de sa sainte Paule car c’est belle chose à voir comme elle est toute parsemée des aspirations et conceptions sacrées qu’elle faisait en toutes sortes de rencontres.
Eis, minha Filoteia, como se tiram os bons pensamentos e as santas aspirações do que se apresenta na variedade desta vida mortal. Infelizes os que desviam as criaturas do seu Criador para as volver ao pecado; bem-aventurados os que volvem as criaturas para a glória do seu Criador e empregam a vaidade delas em honra da verdade. «Decerto, diz são Gregório Nazianzeno, costumo referir todas as coisas ao meu proveito espiritual». Lede o devoto epitáfio que são Jerônimo fez da sua santa Paula, porque é coisa bela de ver como está todo semeado das aspirações e concepções sagradas que ela fazia em toda sorte de encontros.
Or, en cet exercice de la retraite spirituelle et de oraisons jaculatoires gît la grande œuvre de la dévotion : il peut suppléer au défaut de toutes les autres oraisons, mais le manquement d’icelui ne peut presque point être réparé par aucun autre moyen. Sans icelui, on ne peut pas bien faire la vie contemplative, et ne saurait-on que mal faire la vie active ; sans icelui, le repos n’est qu’oisiveté, et le travail, qu’embarrassement ; c’est pourquoi je vous conjure de l’embrasser de tout votre cœur, sans jamais vous en départir.
Ora, neste exercício do retiro espiritual e das orações jaculatórias está a grande obra da devoção: ele pode suprir a falta de todas as outras orações, mas a omissão dele quase não pode ser reparada por nenhum outro meio. Sem ele, não se pode levar bem a vida contemplativa, e não se poderia levar senão mal a vida ativa; sem ele, o repouso não é senão ociosidade, e o trabalho, senão embaraço; por isso vos conjuro que o abraceis de todo o vosso coração, sem nunca vos afastardes dele.