Sonetos
Vem, suspirada, carinhosa Armia
Vem, suspirada, carinhosa Armia,
Remir o escravo, consolar o amante,
Que aflito, que saudoso a cada instante
Te envia um pensamento, um ai te envia.
Dá-me nos olhos teus mais puro o dia,
E flores mais gentis em teu semblante
Que a flor de citereia, a flor brilhante,
Que o mesmo Abril prefere a quantas cria:
Inimiga de Amor é a tardança:
Não tardes, não, meu bem, que me flagelas
Em prolongar-me a sôfrega esperança:
Vem olhar n'este rio as faces belas,
Vem, por doce ilusão da semelhança,
Ver enganar-se os Zéfiros com elas.