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Sonetos

Ave da morte, que piando agouros

Ave da morte, que piando agouros
Tinges meus ares de funéreo luto!
Ave da morte (que em teus ais a escuto)
Meus dias murcharás, mas não meus louros:
Doou-me Febo aos séculos vindouros,
Deponho a flor da vida, e guardo o fruto,
Pagando em vil matéria um vão tributo,
Retenho a posse de imortais tesouros.
Nome no tempo, e ser na eternidade!
Que fado! Oh ponto escuro, assoma embora,
Dê-me o piedoso adeus comum saudade:
E rindo-me na campa os dons de Flora,
Mais do que eles a adorne esta verdade:
«Lísia cantava Elmano, e Lísia o chora.»

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