Sonetos
Desprega as asas, tímida Esperança
Desprega as asas, tímida Esperança,
Minha consolação, não desanimes:
Adeja, voa; os cultos não são crimes,
Nem Jove a quem o adora os raios lança:
Com ais de um coração que não descansa,
Terno, benigno dó vai ver se imprimes
Na formosa Urselina, ou se reprimes
Tênue porção de ríspida esquivança:
Chorosas preces, trêmulo respeito
Exercita com ela, e tu, mimoso
Cândido Amor, que escravo me tens feito,
Para adoçar-lhe o gênio desdenhoso
Deixa-lhe os olhos, salta-lhe no peito,
Não perdes nada, e fazes-me ditoso.