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Sonetos

Nise, das Graças e de Amor tesouro

Nise, das Graças e de Amor tesouro,
Voto implorado me firmava um dia,
Na face meiga a cândida alegria,
Aos ventos derramada a trança d'ouro:
Eis que junto de nós ave de agouro
Três vezes esvoaça, pousa, e pia;
Os ares prenhe sombra enluta, esfria,
E o raio estragador cai sobre um louro.
No repentino horror, que a cena altera,
Quereria talvez dizer-me o fado
Que não tinha o meu bem alma sincera?
Ah! Só quis persuadir um desgraçado
Que de o felicitar capaz não era
Nem a glória de ser por Nise amado.

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