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Sonetos

Do cárcere materno em hora escura

Do cárcere materno em hora escura,
Em momento infeliz, triste, agourado,
Me desaferrolhou terrível Fado,
Meus dias cometendo à Desventura:
Perigosas sementes de ternura
Havia o deus feroz em mim lançado;
Que mil azedos frutos têm brotado,
Regadas pelos prantos da amargura.
Escravo da despótica beleza,
Remir-me de ímpia lei, que me domina,
Tento, e desmaio ao começar a empresa:
Oh poder da paixão, que me alucina!
Oh cego Amor! Oh frágil Natureza!
N'alma busco a razão, e encontro Alcina.

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