Sonetos
Igual ingratidão, e igual vileza
Igual ingratidão, e igual vileza
Poucos hão de encontrar entre as ruínas
Que Amor prepara: pródiga de Alcinas
Não é (graças aos céus!) a natureza:
Gênio de fúria, monstro de torpeza,
Que o pejo afogas, que a traição refinas,
São as Júlias, as Lais, as Messalinas
A par de ti modelos de pureza.
Não temas, infiel, que à terra chame
O raio, que reluz na mão do Eterno,
Para que em negras cinzas te derrame:
Rasguem-te as garras do remorso interno
O coração corrupto, o peito infame;
Lá tenho um vingador, lá tens o inferno.