Sonetos
Em sonhos na escaldada fantasia
Em sonhos na escaldada fantasia
Vi, que torvo dragão de olhos fogosos
Com afiados dentes sanguinosos
As tépidas entranhas me rompia:
Alva ninfa louçã, que parecia
A mãe dos Amorinhos melindrosos,
Raivosa contra mim, c'os pés mimosos
Mais o drago faminto embravecia:
De mármore a meu pranto, a meu queixume,
D'este mal, d'este horror sem dó, sem pena,
Via dos olhos meus sumir-se o lume:
Ah! Não foi ilusão tão triste cena:
O monstro devorante era o Ciúme,
A cruel, que o pungia, era Filena.