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Sonetos

Por indústria de uns olhos, mais brilhantes

Por indústria de uns olhos, mais brilhantes
Que o refulgente sol dos céus no cume,
Jaz preso entre os grilhões do idálio nume
O mais terno e sensível dos amantes:
Uma ingrata, exemplar das inconstantes,
Por gênio, por sistema, ou por costume,
Todo o fel da tristeza, e do ciúme
Lhe verte sobre os míseros instantes:
Se com piedoso afago lhe suaviza,
Lhe engana alguma vez a dor, que o mata,
Mil vezes com desdéns o tiraniza:
O laço aperta, e súbito o desata...
Ah doce encanto meu, gentil Felisa,
O desgraçado eu sou, tu és a ingrata.

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