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Sonetos

Em vão, para tecer-me um ledo engano

Il n'est de malheureux que les coeurs détrompés. (Voltaire, Mérope)
Em vão, para tecer-me um ledo engano,
Filósofo ostentoso indústrias cansa:
Diz-me em vão, que exalando-se a esperança,
Repousa na apatia o peito humano:
O nauta a soçobrar no pego insano
Vê rir-se ao longe a cérula bonança;
A mente esperançosa enfreia, amansa
Os roncos, e as bravezas do oceano:
Se nos míseros cai da mão dos fados
O negro desengano, ei-los ansiosos,
E à desesperação, e à fúria dados!...
Dourai-nos o porvir, oh céus piedosos!
Justos céus! Deem sequer jardins sonhados
As flores da ventura aos desditosos!

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