Sonetos
Enquanto os bravos, formidáveis Notos
Enquanto os bravos, formidáveis Notos,
Por entre os cabos trêmulos zunindo,
O fendente baixel vão sacudindo
A climas, do meu clima tão remotos:
Enquanto de Nereu contínuos motos
Na vacilante popa estou sentindo,
Ao meu ídolo amado, ausente, e lindo,
Formo nas mãos d'Amor sagrados votos:
Mordaz tristeza o coração me corte,
Sofra tudo, oh Gertrúria, por amar-te,
Farte-se embora a cólera da sorte:
Mas talvez (ai de mim!) que se não farte,
Que ou tua variedade, ou minha morte
Me roube as esperanças de lograr-te.