Sonetos
Usurpando um minuto a meu lamento
Usurpando um minuto a meu lamento
Amigo sono os olhos me ocupava,
E enquanto o débil corpo descansava,
Velava amor, velava o pensamento:
Eis que em deserto e lúgubre aposento,
Que semimorta luz mais afeiava,
Cri, Gertrúria (ai de mim!) que te avistava
Já sem cor, já sem voz, já sem alento:
Súbito acordo em lágrimas banhado,
E, das trevas palpando o véu medonho,
Em vão busco teu corpo delicado:
Mas inda em ânsias trêmulo suponho
Que me vaticinou meu negro fado
Dos males o pior no horrível sonho.