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Sonetos

Eu deliro, Gertrúria, eu desespero

Eu deliro, Gertrúria, eu desespero
No inferno de suspeitas e temores;
Eu da morte as angústias, e os horrores
Por ti mil vezes sem morrer tolero:
Pelo céu, por teus olhos te assevero
Que ferve esta alma em cândidos amores;
Longe o prazer de ilícitos favores!
Quero o teu coração, mais nada quero.
Ah! Não sejas também qual é comigo
A cega divindade, a Sorte dura,
A vária deusa, que me nega abrigo!
Tudo perdi; mas valha-me a ternura,
Amor me valha, e pague-me contigo
«Os roubos, que me fez a má ventura.»

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